PORTO DE CABEDELO SE MODERNIZA E MELHORA RESULTADOS
Atingir toda a potencialidade do Porto de Cabedelo. Este é o objetivo principal da nova gestão da Cia Docas da Paraíba. “Temos áreas ociosas que podem ser transformadas em grandes operações portuárias. Temos espaço para construir um moderníssimo terminal de passageiros para ser um dos principais equipamentos turísticos do Nordeste. E não podemos desperdiçar esses atributos, avaliar Wilbur Holmes Jácome, presidente da Cia Docas Paraíba.
O porto de Cabedelo teve o início de suas atividades em 1935 e tinha a gestão feita pelo Estado da Paraíba. Depois a União passou a administrá-lo através da extinta Portobrás. Já entre 1991 e 1998, ficou sob a gerência da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). Foram muitos anos que geraram uma lacuna no desenvolvimento de nossas atividades portuárias. Em 98 foi fundada a Companhia Docas da PB e o Estado recuperou a administração do porto. Mesmo assim, percebe-se que sempre faltou uma política comercial e organizacional consistente. “Não houveram obras importantes de manutenção e ampliação. Em 1961 o porto chegou a operar 288 navios. Era quase que uma embarcação por dia. No entanto, não aproveitaram o fluxo intenso para reinvestir. O tempo passou e vimos os navios passar para Pernambuco e Rio Grande do Norte As cargas conteinerizadas surgiram e o porto não se adequou.”, conta o presidente. Ele explica que nas últimas décadas não se fez nenhum investimento estruturante para adequar o porto às novas demandas do comércio exterior, modernizando os equipamentos de logística e agilizando a movimentação de cargas. Não havia, por exemplo, nenhum projeto entregue que colocasse o porto na lista de obras do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, do Governo Federal.
De acordo com o atual presidente da Cia Docas, Wilbur Jácome, o porto de Cabedelo é uma das principais ferramentas de apoio à indústria e ao comércio do Estado, e tem uma localização estratégica: exatamente no meio do nordeste, entre os portos de Natal, Recife e Suape, podendo servir de apoio, tornando-se um porto alimentador dos outros portos. Para que isto aconteça são necessárias algumas mudanças estruturais severas e novas políticas comerciais para atrair rotas de cabotagem.
Após os quatro primeiros meses de administração a nova gestão já comemora um feito histórico. Comparando abril de 2011 com abril de 2010, percebe-se um crescimento de mais de 45% na movimentação de cargas, o que representa um recorde, sendo a maior movimentação do porto nos últimos 50 anos.
Também já foi possível concluir a reforma do posto da Receita Federal no porto e adequar o Armazém IV às normas da Anvisa. Outro ponto forte da atual administração é a parceria com o curso de Engenharia de Produção da UFPB, que com o apoio de professores e alunos, a Cia Docas está mapeando os processos internos do porto. “O objetivo é criar procedimentos internos e deixar a operação mais rápida e mais barata”, diz o atual gestor.
Wilbur afirma que uma das ações estratégicas de maior importância foi a entrega efetiva, junto à Secretaria dos Portos da Presidência da República, dos projetos de construção do cais comercial e do terminal de múltiplo uso. “Estamos pleiteando verba do PAC 2 para o porto e esse investimento será todo para a infraestrutura. Temos hoje um calado de 9,14 metros, estamos fazendo a dragagem e chegaremos a 11 metros, mas é preciso preparar o cais para futuras dragagens, chegando a um calado de 16 metros e podendo assim triplicar ou quadruplicar a movimentação de cargas. Junto a isso é imprescindível investirmos no terminal de múltiplo uso, já que com um pátio específico para containers passaríamos de uma movimentação de cerca de três mil para quase cinquenta mil containers por ano.
O vice-presidente da Cia Docas, Antônio Ricardo de Andrade, ressalta que o porto já tem uma enorme capacidade, mesmo sem os investimentos previstos para o futuro, principalmente na operação de granel sólido e de granel líquido. Além disso, Antônio Ricardo lembra ainda que “é importantíssimo apresentar também o projeto do terminal de passageiros, que será uma grande alavanca para o nosso trade turístico, agregando facilidade tanto para embarcações pequenas, com turismo local, quanto para transatlânticos com mais de duas mil pessoas poderem aportar na Paraíba, gerando mais emprego e renda através do turismo”.
Os desafios são grandes, mas a nova gestão acredita ser possível alavancar o porto e com ele a indústria e o comércio da Paraíba, pois consideram que pode existir agora um momento favorável a isso: “O porto de Cabedelo tem o apoio do governador Ricardo Coutinho. As bancadas estaduais e federais precisam estar desprovidas de sentimentos político-partidários, precisam estar focadas no crescimento da Paraíba e o porto é uma das principais ferramentas para incrementar arrecadação fiscal, gerar empregos diretos e indiretos e distribuir renda pelos 4 cantos do Estado”, conclui Wilbur Jácome.

